Perguntas da Fé
Qual a diferença entre Bíblia católica e evangélica?
Se você já pegou uma Bíblia católica e uma evangélica para comparar, provavelmente notou algo estranho: os números dos capítulos nem sempre batem, principalmente nos Salmos. Isso não é erro de impressão — é uma diferença real e histórica entre as duas tradições.
Quantidade de livros: 73 x 66
A Bíblia católica tem 73 livros, enquanto a maioria das Bíblias evangélicas tem 66. A diferença está em sete livros do Antigo Testamento, chamados de deuterocanônicos: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc, 1 e 2 Macabeus. Igrejas evangélicas não os incluem no cânone; a Igreja Católica os reconhece como Escritura desde os primeiros séculos do cristianismo.
O Novo Testamento, porém, é idêntico nas duas tradições: os mesmos 27 livros, sem nenhuma diferença de conteúdo.
Por que a numeração dos Salmos muda?
Essa é a parte que mais confunde. A tradição católica segue a numeração da Vulgata e da Septuaginta (traduções antigas em latim e grego), enquanto a tradição evangélica segue a numeração hebraica original (Massorética). Em determinado ponto do livro de Salmos, um salmo que era contado como dois na tradição hebraica foi tratado como um só na tradição grega — e essa diferença de contagem se mantém por boa parte do livro.
Na prática, o que uma Bíblia chama de "Salmo 23" pode ser o "Salmo 22" em outra — mesmo conteúdo, apenas com nome diferente. Não é erro de nenhuma das duas tradições, é só uma convenção de contagem diferente, que existe há séculos.
E as traduções, também mudam?
Sim. Bíblias evangélicas costumam usar traduções como ACF, NVI ou ARA. Bíblias católicas costumam usar traduções baseadas na Vulgata, ou edições como Ave Maria e a Bíblia da CNBB. O sentido geral do texto é o mesmo, mas a escolha de palavras varia.
Isso significa que uma Bíblia está "errada"?
Não. São tradições diferentes, com convenções próprias construídas ao longo de séculos — nenhuma delas mudou o conteúdo essencial da mensagem cristã. Conhecer essas diferenças ajuda a entender melhor o contexto histórico da Bíblia, e evita estranhamentos na hora de conversar com alguém de outra tradição.
Escrito por João José Simão · 26/07/2026